Gisele Cittadino e Adriana Facina no Ocupar

photo_2016-08-26_09-28-18.jpgÀs 19h da sexta-feira, 26 de agosto, na Praça da República, Esquina da Paz, ocorrerá a 23ª Edição da #SextaDaDemocracia!!!
Depois de receber Leonardo Avritzer da UFMG e Marcelo Neves da UnB no mês de junho, Ocupar a República será honrad@ na próxima sexta-feira pela presença de duas professoras do Rio de Janeiro, importantes intelectuais, mulheres de luta que atuam e pensam cotidianamente contra o Golpe e suas nefastas consequências na sociedade brasileira.

A primeira é a Profa Dra. Gisele Cittadino, professora de direito constitucional e direitos humanos da PUC-Rio, e organizadora do livro “Resistência ao Golpe em 2016”. Ela irá falar sobre o tema: “Luta por Direitos, Rompimento Democrático e Ativismo Judicial”.

A segunda convidada é a Profa Dra. Adriana Facina, antropóloga do Museu Nacional, que trabalha sobre música e lazer popular no Rio de Janeiro, com ênfase no funk, e atualmente pesquisa trajetórias de artistas com experiências de sobrevivência. Adriana Facina irá falar sobre o tema: “As Políticas Culturais e o Golpe”.

Por isto, Car@s Ocupantes, em resposta a tamanha honra, não podemos falhar na mobilização. Apareçam e mobilizem, para podemos debater juntos do futuro da República, da Democracia e dos direitos sociais neste País!

Política se faz com o corpo, corporificando sua luta, olhando o outro no olho, debatendo e deliberando com respeito mútuo. Ser militante do Ocupar significa renovar sua atuação democrática e incentivar os cidadãos adormecidos ou entorpecidos pela mídia golpista a re-ocupar o espaço público, reinventar o comum, e voltar a lutar por seus direitos e por uma sociedade brasileira mais fraterna e mais justa.

Até sexta-feira! Vamos, pela 23ª vez em Belém do Pará, Ocupar a República!

Carta à Dilma

Belém, 30 de junho de 2016.

Dilma,

Desde março estamos nas ruas e praças de Belém denunciando o golpe que vens sofrendo. Mas muito antes disso, desde 2014, 2010, estamos contigo.

Queremos que saibas que sofremos demais naquele dia 18 de março. Além de estarrecidas e chocadas com tanta hipocrisia e perversidade, ficamos muito sensibilizadas com a força que demonstrastes diante de tanta brutalidade contra ti.

Muitas de nós nunca militaram, nunca deram maior importância à política. Mas agora nos vemos, lado a lado, nas ruas, em nossos locais de trabalho, em nosso seio familiar, nas rodas de amigos, nas redes sociais, lutando, sem conseguir sair, nos desligar, desistir.

Não conseguimos mais ficar paradas em casa de braços cruzados vendo a história ser forjada pela televisão e pelos jornais. Ouvimos o chamado para a luta e ele nos instiga a cada dia que passa e não nos dá um caminho de volta. Seguiremos sempre adiante. Sempre à esquerda.

Há quatro meses, todas as sextas, nos reunimos na Praça da República para debater sobre a democracia. Sobre o quanto estamos perdendo com a tua saída da presidência do país.

Participamos do ato de 1º de maio. De um acampamento do Levante Popular da Juventude, às vésperas da votação no Senado. De caminhadas e manifestações. Abrimos uma faixa “Vaza, Temer, golpista” num jogo do Paysandu, no Mangueirão. Trouxemos o cientista político Leonardo Avritzer e o jurista Marcelo Neves para palestrarem em Belém sobre a situação política atual do Brasil e denunciarem o golpe.

Mais do que gritar “Fora, Temer”, nosso grito é de “Volta, Dilma”. E, acredite, muitos gritos, apitos, cartazes, faixas, carimbos, camisetas, adesivos, balões. Pois para nós, “Volta, Dilma” significa “Volta, Democracia”, respeitem o voto da maioria, respeitem o nosso voto. Por isso, “Fora, Temer” é muito pouco, muito raso, não basta. E pedir eleições gerais também não nos satisfaria porque seríamos golpistas de nós mesmas se com elas concordássemos.

Desejamos que concluas o teu mandato, até 2018. Que esse direito que as urnas te deram seja respeitado. E, quando isso acontecer, continuaremos nossa militância – pois já não sabemos nos desvincular do pensar a política -, e esperamos uma revisão das tuas práticas governamentais, uma retomada tua mais à esquerda, já que fomos nós, a esquerda, que te elegemos.

No dia do teu afastamento, muitos choraram e tua imagem altiva discursando em frente ao Palácio do Planalto serviu de consolo para nós. Naquele dia, mesmo sem saber, indiretamente citaste uma de nossas cronistas mais importantes e queridas: Eneida. Ao dizer que estavas sendo vítima de um golpe porque não eras mulher de ceder a chantagens e que Eduardo Cunha agiu por vingança por tu não teres aliviado as coisas para ele no Conselho de Ética, nos remeteste a epígrafe que Eneida sempre dizia que gostaria para si: Essa mulher nunca topou chantagens.

Existe uma crônica chamada Companheiras, em que ela fala do período em que ficou presa na época da ditadura de Vargas. Nela, ela relata o dia a dia na prisão de 25 mulheres. Companheiras do mesmo ideal de igualdade social.

É assim que nos sentimos em relação a ti. Cada uma de nós. Companheiras tuas nessa jornada contra o fascismo, o machismo, a misoginia. Contra o golpe. Contra esse estado de coisas que em tão pouco tempo conseguiu subtrair inúmeros de nossos direitos conquistados a duras penas.

Sentimos hoje contigo o peso do mundo nos ombros. Sentimos e suportamos, acredite. Mas, acima disso, e ainda citando Drummond, não nos afastaremos mais, vamos de mãos dadas.

De mãos dadas até 2018, até o país voltar a viver em democracia, até o direito ao sonho voltar para a realidade do povo desse país. Por treze anos o povo brasileiro começou a se permitir o sonho, e seguiremos lutando para que isso seja assegurado a cada um de nós outra vez.

Seguiremos lutando até voltares e até depois. Até sempre.

Ocupar a República

photo_2016-07-01_10-18-08.jpg

[a carta e as flores que o Ocupar a República entregou à Dilma Rousseff]

Ocupar Junino na Praça do Carmo

Na 13ª semana de mobilização e resistência ao golpe, o Ocupar a República traz a Belém Marcelo Neves, professor titular da UnB e um dos constitucionalistas mais respeitados do Brasil, para falar “Sobre um golpe midiático-parlamentar-judicial ou crônica de uma morte anunciada”. Neves é conhecido por não ter papas na língua e promete compartilhar tudo que sabe sobre os bastidores da conspiração, em especial sobre a participação de Gilmar Mendes e outros ministro do Supremo Tribunal Federal no golpe.

13432263_1780844708825563_3707527628045166520_n

Esta edição especial da ‪#‎SextaDaDemocracia‬ acontecerá excepcionalmente na Praça do Carmo, na Cidade Velha, e será seguida do Arraial do Ocupar com muito choro e forró, cachaça e comidas típicas, ao som de Chiquinho Do Acordeon, Diego Santos (violão), Carla Cabral(cavaquinho), Kleber Benigno (zabumba) e Gabriel Ventura (triângulo). E participações especialíssimas de Aíla e Quaderna.

Durante o arraial faremos o sorteio da peça “Congressista Golpista da Bancada BBB”, do artista Paulo Emilio Campos. A rifas estão sendo vendidas pelos ocupantes a R$ 5,00 (cinco reais) para financiar as ações do Ocupar a República.

Programação
18h “SOBRE UM GOLPE MIDIÁTICO-PARLAMENTAR-JUDICIAL OU CRÔNICA DE UMA MORTE ANUNCIADA” com o Prof. Dr. Marcelo Neves.
Professor titular de Direito Público da UnB, Doutor em Direito na Universidade de Bremen (Alemanha), Pós-Doutor na Universidade de Frankfurt e na London School of Economics and Political Science, autor de Transconstitucionalismo, Entre Hidra e Hércules, e Entre Têmis e Leviatã.

19 às 23h – FESTA JUNINA DO OCUPAR com Choro e Forró Energia
Chiquinho do Acordeon, Diego Santos (violão), Carla Cabral (cavaquinho), Kléber Benigno (zabumba) e Gabriel Ventura (triângulo).
Participação especial de Aíla e Quaderna

SERVIÇO
Ocupar Juninho
17/06/2016 às 18h
Praça do Carmo, Belém do Pará
‪#‎ocupararepublica‬

programação junho/2016

photo_2016-06-09_09-02-04

O Ocupar a República traz uma programação especial para essa semana com cientista político Leonardo Avritzer, professor da UFMG.
Avrizter vem a Belém lançar seu livro Impasses da Democracia no Brasil, por Leonardo Avritzer, na Fox, nesta quinta-feira, às 18h.
Na sexta, fala no Ocupar a República, que acontecerá excepcionalmente no auditório do OAB, às 16h.
‪#‎ocupararepublica‬
‪#‎foratemer‬
‪#‎voltademocracia‬

Profecia

por Charles Vasconcelos

 

A democracia será comentada

Na rua, nas praças e nas bocas de fumo

A democracia será comentada

Nos manicômios, nos orfanatos e nas casa de misericórdia

A democracia será comentada

Pelos cozinheiros, artesãos e vendedores dos coletivos

A democracia será comentada

E toda voz deverá falar

E nenhuma voz ficará no seu canto, escondida

De medo de ecoar, sem medo de ecoar

Todo corpo se comunica

De voz mãos, de voz cintura, de voz olhar

E toda voz vai ter que falar!

E nenhuma voz será aparada, amparada

Por outras vozes molhadas de academia e livros

Deus me livre!

Pois só minha voz nome, representa minha voz “eu”

Nenhuma voz vai representar: A sara, o tony frank, os vendedores de cerveja

Um dia todos vão falar

Ah! Vão

Não será vão

E de tanta vozeada

Vozeando no vazio

De amparo em desamparo

Coletivo

De não muitos

Só uns mil

O corpo imundo de não-mundo

Vai largar sua gagueira

E vai começar a cirandar.

Ocupar a República CONTRA O FASCISMO!

Por Barbara Dias e Jean-François Deluchey

O símbolo do fascismo, que vem do latim “fasces”, representa o feixe usado pelos lictores romanos para significar o seu poder de constranger, torturar e punir de morte os inimigos de Roma. O feixe fascista simboliza a vontade de reunir os indivíduos para fazê-los caber, através da força, no mesmo conjunto, e transformá-los em uma arma a serviço de uma vontade única. É o símbolo de uma unicidade buscando adestrar a pluralidade.

Enquanto fenômeno histórico, vale lembrar que o fascismo veio da emergência de um ideário totalitário nos anos 20 e 30, que nasceu em resposta ao crescimento do movimento operário e da Revolução Socialista empreendida na URSS e nos países europeus. Surgiu sobretudo na Itália de Mussolini e na Alemanha nazista, mas também no Japão, na Espanha e em Portugal, como resultado do cenário do pós Primeira Guerra, e levando, por sua vez, à precipitação da Segunda Guerra. Esses movimentos se apoiavam num discurso de unidade excludente (nacional e/ou racial), num Estado ditatorial centralizado, militarizado, interventor e controlador de todos os aspectos da vida social e política.

Neste sentido, não pode existir fascismo de esquerda, são expressões antitéticas. A ideologia de esquerda luta necessariamente por um projeto inclusivo e pluralista. A esquerda, na história, sempre lutou pela liberdade contra a exploração e a escravidão, pelo universalismo contra o nacionalismo e o imperialismo, e sempre lutou pela emancipação contra o colonialismo e o racismo.

Aqui é importante fugir da caricatura (criada pelo liberalismo) de que a esquerda luta pelo apagamento das diferenças. Na verdade, a esquerda luta pela expressão livre de todas as singularidades, e acredita que a liberdade apenas possa ser experimentada através da igualdade. Todo regime que defende a liberdade sem igualdade esconde a opressão.

Como disse Michel Foucault no texto “Anti-Édipo: uma introdução a uma vida não fascista”, o fascismo é nosso inimigo maior, e “não apenas o fascismo histórico de Hitler e de Mussolini – que soube tão bem mobilizar e utilizar o desejo das massas – mas também o fascismo que está em todos nós, que assombra nossos espíritos e nossas condutas cotidianas, o fascismo que nos faz amar o poder, desejar esta coisa mesma que nos domina e nos explora”.

O fascismo é o oposto da democracia. Ele atenta à expressão da multiplicidade de vozes na arena pública (pólis), reduzindo-a em unicidade. No regime militar brasileiro, o governo militar dizia representar a vontade una da Nação, como se existisse uma só vontade e uma só Nação. A rigor, o próprio conceito de nação é fascista. Por isto os bolsonaristas e golpistas deste País se enroscam na bandeira brasileira, e a reivindicam como sua própria: para um fascista só existe uma razão, uma vontade, uma forma de ser e, evidentemente, essas são as que ele diz representar e defender.

Muitas vezes, o fascista tenta legitimar seu projeto de apagamento das diferenças a partir de um discurso sobre a corrupção do presente e a urgência da restauração de um passado idealizado, que nunca existiu. No discurso fascista, alguém corrompeu o paraíso na terra, o qual só poderá voltar a existir depois que os corruptores tiverem sido neutralizados ou eliminados.

O que é fundamental para o desenvolvimento do ideário fascista é que se imponha uma única visão do mundo. Mundo este que deve ser guiado por um padrão moral uniformizador que nega a diversidade social, representada em várias expressões de família, de amor, de vida. O fascista enxerga a sociedade sob o ângulo da normalização: ou você é normal, um “cidadão de bem”, ou você deve ser eliminado por ser um “marginal”, um “inútil”, um “parasita” ou, como está na moda, um “esquerdopata”.

O fascista acredita que o mundo é naturalmente hierarquizado e qualquer crítica a essa postura é vista como heresia. Ele busca apresentar as diferenças sociais e as desigualdades como naturais. Daí que para um fascista é insuportável qualquer proposta de miscigenação racial, de pluralidade sexual, e que homem e mulher possam ter a mesma respeitabilidade. A pluralidade para o fascista não é uma opção, é uma doença social a ser erradicada, em relação à qual ele propõe um remédio, uma limpeza social.

No campo das emoções, o regime habitual do fascismo é o da insegurança e do medo de “si” que é projetado no outro. O fascista é antes de tudo alguém que acredita merecer naturalmente muito mais do que a sociedade lhe proporciona. A sua frustração, muitas vezes, se refugia numa religiosidade falsa na qual ele tira a ideia de sua própria pureza face à sujeira do mundo social.

Contra qualquer obra de emancipação democrática e pluralista, o fascista defende a “moral” enquanto espaço de homogeneidade, de paz e de harmonia. Emprega, por esta razão, uma linguagem prenhe de metáforas sobre sujeira, podridão, doença e fraqueza. Deve-se desconfiar sempre do uso dessas palavras: sujo, perigo, risco, ameaça, crise, corrupção. Muitas vezes, elas são usadas para calar pessoas, eliminar pessoas, matar pessoas.

A política democrática, que procuramos aprofundar com experiências como a ‪#‎SextadaDemocracia‬ do movimento “Ocupar a República!” tem como objetivo lutar por uma vida não fascista. A política democrática é arena de conflito, de divergência, de negociação e de deliberação. A política democrática é emancipadora enquanto a polícia fascista é opressora, categorizadora, redutora da complexidade de nossas formas de vida.

Como nos ensinou a Trupe da Procura, a política é se olhar nos olhos. Por isso precisamos de espaços de diálogo e de convivência, para promover sempre a pluralidade das formas de vida e o respeito das diferenças. Devemos lutar pelo que temos em comum: nossa alegria, nossa diversidade, nossa sociabilidade, nossos espaços públicos.
Para aprofundar a democracia e para expulsar o fascismo, devemos 
Ocupar a República!